ATENDENDO A SOLICITAÇÃO DE UM AMIGO

12/04/2012 20:23

 

No Momento de Luz de hoje, mais um membro do grupo se dispõe a compartilhar conosco suas experiências. Luiz, sujeito simples, como se apresentou, conta-nos sobre o encontro com a família, à amizade com Gregório e a importância deste novo trabalho na sua vida.

Diante de seu relato, me senti mais compreensiva conosco, habitantes deste planeta. Percebi o quanto é difícil lidar com tantos sentimentos e pensamentos conflituosos. Desejos, limites, o contato com o outro..., nos faz experimentar momentos de angustia e apreensão frente às escolhas diárias que temos que fazer.  É quando o medo nos visita, nos paralisando por muitas vezes. Acho que é o tempo que nos damos para parar, refletir, buscar caminhos e, finalmente, seguir.

Convido-os a olharem para si mesmos, de outro lugar, de fora. Observe-se como se nunca tivesse visto. Seja compreensivo. Utilize-se da amorosidade que possui. Enxergue as virtudes com alegria e com gostinho de quero mais. Quanto às dificuldades que encontrar, acolha-as com carinho. Não encontre culpa e nem desculpas, assuma as responsabilidades. Respire fundo, “sacuda a poeira”, livre-se do que te incomoda. Não tenha pressa. Não precisa resolver tudo hoje. Como diz Renato Russo: o sol vai voltar amanhã. Siga, hoje e sempre. E não esqueça que faz parte de um grupo, uma família, que não está sozinho. Você tem com quem contar.

Boa Reflexão!

Andréa

 

 

ATENDENDO A SOLICITAÇÃO DE UM AMIGO

 

Chamo-me Luiz. Faço parte do grupo de excursão à Terra. Está é a minha segunda viagem. Já estive aqui antes, há mais ou menos dois meses. Como veem, sou um principiante.

Gregório achou por bem me fazer falar sobre o evento ocorrido a nós quando chegamos. Não sou bom de letras como ele, mas considerou pertinente minha expressão do que vi e senti, mesmo com meu jeito rude e não letrado de falar.

Sou um sujeito simples, se assim posso dizer. Fui criado com animais, por meus pais, em uma fazenda no interior de minas. Cheguei por aqui há pouco tempo, bem depois dos outros membros do grupo.

Um dia fui nadar. Era bom nadador, mas neste dia, não sei, o corpo ficou pesado. Senti-me mal, um aperto no peito. Minhas pernas e braços não me respondiam. Tentei deixar a cabeça fora da agua, porém, aos poucos fui me deixando levar, já não tinha forças.

Acordei aqui, num hospital, meu avô à beirada da cama, a contar-me estórias, as mesmas que costumava me contar na infância. Não tive medo. Só saudade. Em pouco tempo já corria nos campos daqui. Fiquei a cuidar da terra todas as manhãs. Depois do almoço, era chamado e conduzido á sala de aula.

Não tive dificuldade de aprender sobre a vida após a morte. Minha avó e, também, meu Vô viviam a nos contar histórias das almas que subiam ao céu para juntar-se aos seus irmãos, ao trabalho de Deus. Não foi difícil me adaptar, até que um dia fui convocado para trabalho de outra ordem.

Retirado do campo, sofri. Meu avô me fez entender que era necessária a minha contribuição. Um irmão querido havia se unido a pessoas de má índole e minha avó, ainda encarnada, solicitava ajuda. Foi entregue a mim a responsabilidade de conversar com ele. Éramos muito unidos e ele escolhera as drogas como saída pela saudade que sentia de mim.

Foram meses de preparação. Samuel também coordenou está excursão. Meu avô estava conosco. Éramos somente três. Uma pequena excursão a serviço familiar: pai, filho e neto. Sim, Samuel fazia parte de nossa família, meu tio, filho de meu avô, o perdemos quando ainda era uma criança. Não sabia quem era quando o encontrei porque se tornou “grande” aqui.

Os espíritos escolhem o períspirito que mais se afinaram durante as existências e, assim, se apresentam na erraticidade. Gostava de ser quem sou e de estar em família, por isso assim permaneci.

- Voltar aos seus não é tarefa fácil. Repetiam meu avô e meu tio a cada encontro. Talvez por isso eu não tenha considerado tão difícil. Acho que já estava preparado. Reencontrar a família é um alento, porém a saudade surge no peito de forma feroz, nos angustia e nos faz sofrer.

Foi complicado o acesso a meu irmão. Foi um trabalho duro, longo, mas satisfatório. Minha maior dificuldade foi deixa-los novamente. Desejei ficar do lado deles. Meu avô e meu tio conseguiram me restituir à lucidez e me deixei retornar ao local que agora era o meu lugar.

Passei dias na cama, sem vontade de nada. Sofrendo, quis desaparecer. Pensei até em morrer. O retorno a Terra é sempre uma tarefa difícil. O contato com a matéria grosseira e com as energias densas que a inundam nos faz desejar o que já não temos mais: a vida de sonhos e prazeres que ela nos oferece. Suas belezas, cheiros e entretenimentos nos parecem mais importantes, nos fazem falta.

Queria voltar. Estar perto dos que amo, viver plenamente o que não foi possível. Luciana estava a minha espera. Não se casara de novo. Vivia a me chamar em pensamentos. Minha aproximação a fez mais saudosa e me trouxe para bem perto. Não ficava nem lá e nem aqui, horas ao seu lado, horas na cama, a reclamar. Adoeci.

Meu avô e Samuel me chamaram à consciência dos fatos, aos conhecimentos que adquiri e às necessidades, minha e dela, de crescer, evoluir. Disseram-me que logo estaríamos juntos novamente, porém, era preciso aceitar a separação que, agora, se fazia necessária.

 Fizeram me lembrar de acontecimentos ocorridos no passado e dos acordos que fizemos. Pediram que eu a ajudasse, enviando pensamentos de paz, amor e encorajamento.  Lembrei-me de tudo, compreendi e fiz o que me solicitaram. Voltei a minha paz, mas continuava saudoso e triste. Foi quando fui convocado por meu tio ao trabalho. Disse-me que fazer o bem me energizaria.

Quando entrei para o grupo somente conhecia o meu tio. A amizade com Gregório surgiu rapidamente. Era um homem dinâmico, curioso, divertido. Seus questionamentos incessantes eram, muitas vezes, hilários. Não sabia parar nem por um segundo. Bombardeava a todos nós com imensas e difíceis palavras. - O que? Vivia a perguntá-lo. Era difícil compreendê-lo. Sua inteligência e rapidez de raciocínio me deixavam tonto. Começou a me ensinar as letras. Fez-me lembrar de que já sabia escrever. Não tão bem quanto ele, mas passei a me dedicar. Incentivava-me a escrever relatórios sobre minhas experiências, ressaltando meus sentimentos. Dizia que seriam dados para seu livro. Que precisava de informações. Fiz o que me pedia. As horas que passava meditando sobre as vidas que lembrava fazia passar o tempo e tudo foi se modificando.

Fiquei mais sereno e Luciana mais forte. Dediquei-me ao estudo e aos planejamentos do trabalho que realizaríamos. Desta vez, quando cheguei à Terra, ela estava diferente, menos atrativa. Já não me seduzia com sua fala mansa, convidando-me às delícias que possuía. Olhei-a com afeto, sem rancor, porém com preocupação e com vontade de ajudá-la.

A chegada não fora fácil, Gregório não suportou as mudanças energéticas, como o esperado, precisou ser assistido. Meu tio, experiente, resolveu a questão, trazendo-o à consciência. Percebi sua chateação em não nos acompanhar até a casa de Rute, onde ela nos esperava, precisávamos acertar os últimos detalhes.

As missões na Terra são muito bem preparadas, pois é necessário que o grupo esteja coeso e firme em seus propósitos de cooperação com o bem. O contato com as energias densas, que aqui imperam, podem nos fazer sucumbir, sugando-nos. Desta forma, em vez de contribuir, necessitaremos da assistência dos bons espíritos.

Soube, através de estudos, que espíritos em processo evolutivo foram tragados por suas fraquezas, entregando-se aos maus pensamentos e ações, permanecendo no planeta, perambulando sem ermo, às vezes, seguindo outros que, como eles, se encontram perdidos, formando grupos que se dedicavam a extração de energias e outras ações não condizentes as leis de Deus. Por isso tanto cuidado, estudo e aprimoramento. Sentia-me seguro ao saber que fazia parte de um grupo que se dedicava à prática do bem, buscando o autoconhecimento e o crescimento individual e coletivo.

Acho que me empolguei. Acabei falando muito. Espero ter cumprido com a solicitação que meu amigo me fez e contribuído com os relatos que se propôs a fazer.

Que a paz do Cristo esteja com vocês. Entreguem-se ao Seu amor e tenham certeza que serão felizes.

Obrigado e até mais

Luiz

11.04.12 

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