LIVRE-ARBÍTRIO

20/09/2012 07:53

 

Livre-arbítrio: expressão usada para significar a vontade livre de escolhas, as decisões livres. (Wikipédia)

Em O Livro dos Espíritos, questão nº 843 temos: O homem tem o livre-arbítrio dos seus atos? - encontramos a seguinte resposta: “Visto que ele tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem livre-arbítrio o homem seria uma maquina”.

Para Santo Agostinho, “Sem o livre-arbítrio não haveria mérito ou demérito, glória ou vitupério, responsabilidade nem irresponsabilidade, virtude nem vício”. (cf. BAC III, Introdução, p. 246).

Este é o tema que Gregório propõe conversarmos esta semana. Convida-nos a refletir, a partir de suas experiências, estimulando-nos a aceitar o convite à jornada do crescimento.

Linda Caminhada!

Andréa   

 

 

LIVRE-ARBÍTRIO

 

Eis-me aqui, mais uma vez. Falemos hoje sobre o livre-arbítrio. Pelos textos passados podemos verificar como o tenho usado inadequadamente. Mesmo aqui, rodeado de luz e energias salutares, muitas vezes, me deixo levar pela impressão atroz, pela indisciplina dos pensamentos negativos aterrorizantes, que sucumbem minha razão, levando-me ao erro.

Já o viram, também, nas minhas passagens pela vida terrena. Falei-lhes sobre apenas uma vida, mas muitos foram os desdobramentos que o encalço dos pensamentos hediondos, me levou.

Talvez me percebam dramático, mas o sabem que eu sou. Então, lhes confirmo minha posição, aceitando meus desvios e encorajando-me a refletir sobre os mesmos e, se possível ainda for, corrigi-los.

Esta última frase pode parecer-lhes brincadeira, um joguete, pois já lhes falei sobre nossa capacidade de mudança, de fazer diferente. Sabem que acredito nisso, porém, às vezes, um raio pequenino de desesperança, em mim mesmo, me assombra, levando-me a desconfiança da incapacidade. Sabe lá, se o mesmo acontece com vocês, mas sinto-me, na maioria das vezes, incapaz de fazer escolhas acertadas e temo o porvir.

Serei discreto aos revelar, que, no último momento de estudo que tivemos, fomos a ver espíritos em preparação para a reencarnação. Não saberia explicar a emoção que captei vindo dos mesmos. Passam por momentos de aflição, angustia e esperança, tudo junto, no mesmo pacote. Sabe lá, o que pesa mais.

Serei capaz de usar o sabe lá, por algumas vezes. É que este assunto faz-me tremer a alma insegura, ansiando por conhecimento e transformação, pois um, não vem sem o outro.

 Conhecer é fruto de toda a inspiração para o ser se transformar em algo melhor. Reduzo a algo, pois acredito num simples melhor sorriso, como grande vantagem, grande capacidade de transformação.

Não sei quanto a vocês, mas o sorrir, para mim, era algo de difícil acesso. Acessá-lo era quase um parto. Somente Maria Luiza fazia brotá-lo em mim, sem sacrifícios. Um minuto com ela, e meus lábios se disfarçavam, abrindo-se em um belo sorriso. Assim ela o chamava: belo.

Saudade de lado. Retomo minha dificuldade em transmiti-lhe tão valorosos e complexo assunto, pois escolher é responsabilizar-se. E se eu errar, o que farei?

Recomeçar, me dizem toda hora por aqui. Acredito que seja assim, mas confesso que ainda não me sinto capaz de errar, nesta euforia de aprender e fazer diferente.

Quando conheci a história de Paulo de Tarso, embasbaquei. Como poderia alguém assumir erros tão graves, de forma tão simples e destemida? E maior ainda, é o recomeço. Entrega total, sem medo de cometê-los novamente, sem receio de ser abandonado no caminho, de ser rejeitado pelos que erraram junto e pelos que o seus erros atingiram.

- Jamais serei tão grandioso, destemido, corajoso. Falei outro dia.

-Jamais, palavra pequena, com grande significado. Disse-me, Samuel.

- Precisa usar melhor as palavras, escritor. Sabe o poder que elas têm. Portanto, pense-as, antes de utilizá-las. Processe-as, antes que desfilem através de sua boca.  Faz-se pertinente ter cuidado com o que diz, pois pode lhe trazer prejuízos futuros, como a falta de fé em si mesmo. E Se não crer em si, como crer no Criador?

 - Fica fácil. Ele é maior do que eu. Respondi, me defendendo.

- Se o Pai está em nós, e nós estamos Nele. Como poder crer Nele, sem crer em nós? Duvidar de nós é duvidar de Seu amor, de Sua responsabilidade com Seus filhos.

- Acreditar-se ser incapaz, é acreditar que o Pai nós fez incompletos, defeituosos. Somos o melhor, porém, pergunto: Tem sido o melhor que pode ser?

- O Pai nos preenche, com tudo o que precisamos. Torna-nos capaz para as grandiosidades da vida. Quanto aos seus destemperos, só dependem de você. Sabei o que diz. Confia, porque o Pai confia em você e Sua obra é bem feita.

Calei-me por alguns segundos e, como sempre, envergonhei-me das asneiras que digo. Desta vez, quis sinalizar minha pequenez e, sem pensar, acabei reduzindo o Criador.

Passei a refletir sobre mim e os passos dados. Sobre as palavras ditas e escritas. Sobre os diálogos construídos, sem cuidado e tolerância comigo e com o outro.

Estava a refletir sobre isso, quando aconteceu a visita ao Departamento de Reencarnação. Chamá-lo-ei assim, para simplificar o entendimento. Encontrei espíritos na véspera de retornar. Traziam, no peito, a dor da saudade dos que ficam, a esperança que desta vez conseguiriam vencer os obstáculos aos quais se propuseram avançar e, pequenino, um ponto de medo que temi persegui-los.

São muitas as escolhas feitas. Grandes são os desafios. E maiores, ainda, os riscos de novamente falhar.

Um espírito iluminado, um cuidador como o meu, referiu-se a este momento como uma dádiva divina. E que o medo é a segurança do amanhã correto, que nos dá a certeza de que o espírito está comprometido com a sua nova oportunidade.

Mas deve ser apenas um ponto pequenino, num horizonte maior de confiança no Criador, que nos concedeu mais uma oportunidade, porque acredita na nossa capacidade de fazê-lo.

Dizia ele: - Busquem as verdades escondidas na profundeza do ser e serão guiados pelos caminhos da luz. Não temam os erros, porque eles são indispensáveis ao crescimento. Desejem que eles cheguem leves e que sejam pouco abundantes. Que sejam claros e precipitem modificações coerentes com as Leis de Amor, ensinadas pelo Cristo.

Encorajados, os vi partir logo depois.

Fiquei a pensar no meu dia, quando ele chegar. Ainda nada fora me dito sobre isso. Mas sei que é preciso uma nova vida, para despertar-nos dos sonhos obscuros que permanecem em nós. Terei a chance de tudo escolher? Aterrorizei-me com esta possibilidade.

Uns podem escolher por tudo que vão passar. Outros precisam ser guiados por seus anjos cuidadores, que lhes transmitem a luz do discernimento que ainda os falta. Porém, nada é feito a revelia do espírito.

 Saberei escolher o que me for melhor? E se acreditar que posso e ainda não estiver preparado para determinados destinos? O que farei ao, novamente, fracassar?

Samuel logo surgiu. Atento aos meus pensamentos, veio buscar-me para uma conversa.

- Como saber que errará novamente? Como saber que este erro não será seu caminho para o conhecido lugar, que tanto espera retornar vitorioso?

- Não tema o que se esconde. Tema o que se apresenta, como a sua falta de coragem e fé. Não tem aprendido, todos estes dias que aqui esteve, a conhecer, visitar, entrevistar, observar? Confia no seu discernimento.

- Todo homem é capaz e, a ele, é dado tudo quanto necessário para voltar vitorioso à casa do Pai. Se sucumbir, é porque perdeu a fé em si e no...

Nem o deixei responder. Parei-o, pois as palavras que vinham e, que eu já conhecia, sangravam meu peito. Pedi para deixá-lo e, ele permitiu. Não antes de impor suas mãos e alegrar-me com sua doce energia de amor fraterno. Sorri encabulado e parti.

Retornei ao centro de mim, para uma conversar íntima. Decidi ouvir meus tremores, um a um. Sentei e dialoguei comigo, pontuando cada ponto forte descoberto, na tentativa de fazer-me acreditar que era capaz de usar, adequadamente, meu livre-arbítrio.

Depois de longa palestra, parti para a vida exterior que me esperava ansiosa. Encontrei reunidos os amigos, pois nova reunião estava prestes a acontecer.

Abracei um a um, agradecendo por sua existência em minha vida. E, após a oração, solicitei a fala e lhes disse, corajosamente:

- Até pouco tempo, senti-me infantil para vivenciar, respeitosamente, a dádiva da vida, hoje, um pouco menos primitivo, retorno do recolhimento, onde, diante de mim mesmo, senti-me encorajado a enfrentar-me de frente, olho no olho. Voz embargada, disse-me como me sentia e ferido, chorei.

- Porém, compreensivo, acolhi-me em toda minha ignorância e contemplei a luz do Criador, que teimava manter-se acessa. Então, decidi encarrar os desafios da vida e, sem medo de “quebrar a cara” novamente, estou disposto a usar o meu livre- arbítrio.

- Decido, hoje, crescer. E se crescer é aprender, deixo de temer o erro para contemplá-lo com carinho e respeito e, se possível, agradecê-lo por tanto ensinamento.

- Sinto-me um homem diferente, mas centrado e amadurecido. Proponho-me ao trabalho, mais enriquecido de certezas, fé, esperança, desprendimento, entrega e amor.

Assim, termino hoje, compartilhando com vocês, caros amigos, a fala do outro dia, que ainda ressoa em mim depois de tantos anos, impulsionando-me a seguir em frente, buscando o conhecer que faz crescer.

Sintam-se convidados a mesma jornada.

Gregório

13.09.12

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