MOMENTO SUBLIME

03/10/2012 16:51

 

“Que tal voltarmos ao amor?” Assim, Gregório inicia nossa conversa, esta semana.

Ao som das flautas, convida-nos a penetrar na delicadeza do encontro de duas almas, que corajosamente se abrem para vivenciar “este sentimento tão grandioso”.

Sentimento presente dentro e fora de nós, fontes internas e externas de amor que se entrelaçam, expandindo-se em forma de luz.

Bem-vindos ao desconhecido tão favoravelmente conhecido por cada um de nós.

Andréa

 

 

MOMENTO SUBLIME

 

Retornemos a assunto mais leve. Que tal voltarmos ao amor? Hoje, pela manhã, assisti a uma belíssima palestra que incentivava-nos a viver o amor.

Os romances não beiram só os encarnados. Este sentimento grandioso, que desponta do peito a música de flautas, (assim ocorre comigo, não sei como ocorre a vocês.) recorre a todos os corações, até mesmo aos que estão na erraticidade.

Ao ver Maria Luiza, a cada visita, ouço flautas a tocar. Nossa canção parte do meu coração, encontrando-se com o dela. Numa sintonia calma e verdadeira que nos enche a alma de paz e esperança.

Assim é o amor. Fonte de paz e esperança. A harmonia que brota da alma dos amantes envolve o ambiente que se torna mais favorável ao viver, por isso, nosso Senhor enche a vida de casais apaixonados.

O encontro amoroso entre duas almas é de grande comoção. A torcida surge e comemora cada caminhada junto. Diferente do futebol, na atualidade de vocês, que termina em violência. Esta torcida organizada vibra para o bem do casal que se encontra e se promete amar.

Participei, alguns anos atrás, de um momento sublime como este. Um belo jovem casal comprometido a encontrar-se na terra, a fim de auxiliarem-se no caminho da evolução, ainda não haviam se conhecido.

O livre-arbítrio do rapaz deixou-se levar pela oferta de paixões transitórias e se fechou ao encontro do verdadeiro amor. A senhorita o aguardava ansiosamente. Seu coração puro e juvenil ansiava a vida do amor, porém, esta custava a chegar.

O tempo foi passando e, sentindo-se velha e problemática, fechou-se, cada vez mais, dentro de si, afastando a realização do coração que se preparara para alcançar a felicidade a dois.

O rapaz, em meios a tropeços, acabou por conhecê-la.  Porém, encantado com os prazeres aos quais já estava acostumado, foi barrado pela presença divina do amor verdadeiro.

Acreditou ter encontrado nela uma amiga para grande afeição. Abria-lhe o coração e despejava sobre ela as imundices do desrespeito pelo sentimento nobre, frente aos prazeres carnais. Contava-lhe, sem consideração, sobre as muitas conquistas.

Ela, sem apreços maiores por aquele que tratava as mulheres, fonte externas de amor, de forma tão maquinal, tal como objetos, sem desejos, direitos ou deveres, tratava-o com desprezo, apesar de lhe querer bem.

Condenava-o pelos desagradáveis comentários que fazia e jogava-lhe a praga de verdadeiramente se apaixonar um dia. Ele gostava de vê-la chateada e esforçava-se por contrariá-la. Veja o que um coração, não correspondido do que pretenderia fazer, causa ao seu senhor.

Assim, passavam os anos, trabalhando lado a lado, sem ao menos se enxergarem.  Seus cuidadores, então, pediram-nos ajuda. Queriam favorecer um encontro profundo entre estas duas almas, para que elas pudessem se reconhecer e se amar.

Várias maneiras de auxílio foram pensadas e tentadas. Todas respeitavam-lhes o livre-arbítrio, mas nada funcionava. Quando estávamos para desistir, deixando a eles os percalços que escolhiam. Surgiu um anjo, em forma de criança, uma sobrinha do rapaz, amiga do casal de outras épocas.

Nascera há seis anos, porém, ainda não conhecia o tio, porque morava longe. Como estava crescida, foi mandada pela mãe para aproveitar as férias ao lado dos avós maternos.

O tio se encantou quando a viu. A pequena era revestida de luz. Olhos brilhantes. Sorriso acolhedor. Trazia no peito a marca dos espíritos cuidadores. Aqueles que descem em missão, para auxiliar aos entes amados e ao planeta.

Vinha-nos visitar em desdobramento e contava-nos o que planejara. Fez logo amizade com a linda jovem e fazia o tio chamá-la para os passeios. O que foi aproximando o casal e despertando-os para a vontade de estarem juntos. Mas, acovardados, temendo o amor, fechavam-se para sua descoberta e vivência.

Quando no dia da partida, a pequena chamou-os para a despedida e, abraçando-os ao mesmo tempo, disse-lhes como desejaria vê-los juntos quando voltar.

Na sua partida, olhos de tristeza, por saudade, se encontraram. Reuniram-se, então, em um abraço. E nunca mais se separaram. O amor é assim. Uma faísca de luz que quando pega e irradia, deixa um rastro luminoso de felicidade.

A palestra falava sobre encontro inesperado que se eterniza antes mesmo de acontecer. Fontes de amor externas que se encontram para fortalecer as fontes internas e ajudarem-se, mutuamente, a crescer.

Evoluir junto, a dois, é muito melhor. Melhor ainda quando se reúnem outros espíritos, construindo-se uma bela família. Dos dois lados, unidas, cooperando em conjunto, ampliando-se, para um dia ser única, planetária, unidas pelo amor.

Soube que, mais adiante, se torna tão intenso este sentimento, que se despe do gênero e se torna único. Busquemos, por enquanto, o que está ao nosso alcance, para, mais adiante contemplarmos o amor supremo.

Portanto, mãos-a-obra. Busquem, vivenciem o amor em todas as suas formas: como amigos, como irmãos, como conhecidos, como casais, como inimigos, quem sabe.

Quanto mais o usamos, mais perto chegaremos ao amor de Deus. Este amor que nos surpreende a cada momento, por ser ainda desconhecido para nós, por isso, não compreendemos, ainda, a sua totalidade. Suspeitamos de sua existência. Conformamo-nos de não vivê-lo ou tememos conhecê-lo.

Assim somos nós, pequenos ainda. Medrosos diante do desconhecido. Temerosos por descobrir quão bom é o amor, pois assim não saberemos mais viver sem ele.

Coragem. Vamos, sem receios ou incontinências. Simplesmente se entreguem a este desconhecido, tão favoravelmente conhecido dentro de nosso ser.

Mas se tememos senti-lo, até mesmo por nós, como desbravaremos seus mistérios em relação ao outro?

Incentivo-os a tentar. Mergulhem com coragem, porém com cuidado, principalmente, com o outro, pois ao temê-lo, o usamos erroneamente, subjugando quem dizemos amar, competindo pelos seus sorrisos, aprisionando-o em nossas cercas de tormentas. Deixemo-lo livre para se expressar e para fazer-nos felizes com toda a sua grandiosidade.

Segredo? Formulas? Caminhos? Não. Não será preciso. Quando realmente encará-lo nos olhos, verão o brilho de sua luz e poderão convidá-lo a penetrar em suas vidas, confiando que serão felizes.

Preciso será, também, mostrar-se, verdadeiramente, sem imagens mentirosas, sem enganos, somente com a verdadeira luz que trazem dentro de si.

Deixo-os com um pedaço da canção que fiz para o meu amor. Amor o qual muito temi, mas, finalmente, sem rodeios, decidi deixar penetrar em mim para sempre.

“Quando a luz dos teus olhos penetrarem nos meus, saberei que esperei eternamente por você. Então, poderemos viver o eterno amor, que tanto se escondeu, temendo se fazer aparecer. E, agora, refeito, saberá o caminho que chega a você e, cuidadoso, lhe tirará para dançar em celebração a vida, que agora se torna mais bela por, finalmente, a ter nos braços meus.”

Gregório

18.09.12

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