O PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

22/06/2012 10:37

 

Você tem aproveitado as oportunidades de praticar a caridade?

Elas não tem ocorrido? Tem certeza?

A caridade nos procura todos os dias, porém, é, na maioria das vezes, discreta e singela. Facilmente passa sem ser percebida. É preciso estar atento.

São simples convites que ocorrem no nosso cotidiano. A solicitação de uma escuta, de uma palavra de conforto ou encorajamento, de um simples olhar de simpatia, de um sorriso acolhedor. Gestos simples, atitudes amorosas, falas com respeito.

Não fique a espera de um grande momento, aproveite as pequenas oportunidades.

Exercite o amor.

Boa reflexão,

Andréa

 

 

O PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

 

Certa manhã, tudo parecia calmo, até que se ouviram gritos. Vinham de longe, de muito longe.

Era domingo e a maioria estava em casa, preparando-se para as festividades de mais logo. Era um grande dia. Fazia um ano que a Casa do Cristo havia nascido. A comunidade estava em comemoração. Tinham organizado uma festa de aniversário: decoração, guloseimas, momentos de leitura e reflexão, música, dança...

Comissões foram formadas para realizar as diversas atividades. Todos queriam participar e contribuir. A Casa do Cristo era muito amada. Seus membros sentiam-se como uma família e ficavam felizes quando estavam juntos.

Os mais jovens, crianças e adolescentes, também compreendiam o significado daquele lugar para suas vidas e as dos seus familiares. Por isso reuniram-se, escolheram uma música e ensaiaram passos. Seria uma doce homenagem.

Não comemoravam o espaço material, mas o espaço afetuoso que os possibilitou estarem unidos, em conexão com Deus. Comemoravam os ensinamentos que aprendiam juntos, o crescimento individual e coletivo, a amizade pura e verdadeira, sem nenhum tipo de interesse egoísta.

 A Casa do Cristo era um ponto de luz que surgiu do alto e encontrou abrigo no coração de cada um daqueles que, agora, faziam parte do grupo. Luz que se expandia a cada chegada de um novo coração que se achegava e se integrava, compartilhando desta iluminação.

Era um dia de alegria, porém, o grito, abafado pela distância, não foi ignorado. Procuraram identificá-lo, mas não foi imediatamente encontrado. O dia seguia com todo seu brilho, até que os gritos foram ouvidos novamente e, desta vez, mais perto. Os homens correram em sua direção e retornaram com um ancião nos braços. Ao lado, vinha uma garotinha, cabelos desalinhados, vestes sujas, olhar de esperança. Assustada continuava a gritar mesmo depois de ser descoberta e acolhida.

Por mais que tentassem acalmá-la, não conseguiram silenciar seus gritos. Então, o ancião, ofegante, explicou que aquela era a sua forma de se comunicar. A pequena não sabia falar e os grunhidos eram a maneira que encontrara de pedir ajuda e, agora, de agradecer. Rute ofereceu-lhe um sorriso e a abraçou, fazendo-a compreender que era compreendida. A menina calou-se e retribuiu o sorriso e o abraço.

Os preparativos pararam. Era preciso atender a demanda mais urgente. O ancião explicara que a aldeia onde moravam estava em chamas. Durante a noite, uma fogueira mal localizada teve suas labaredas espalhadas pelo vento, alcançando as casas de palhas, uma unida à outra.

A comunidade, composta por mulheres e crianças, despertou com a fumaça. Os homens estavam longe, na lida, trabalhavam para fazendeiros em terras distantes, onde passavam meses separados das famílias.

O velho ancião, conselheiro da aldeia, era o único homem presente e partiu após os primeiros cuidados em busca de ajuda. A neta uniu-se a ele para que não caminhasse sozinho. Cansado, sem conseguir dar mais um passo, tombou no solo. A pequena começou a gritar e correr a procura de socorro. Quando encontrada, levou os benfeitores ao encontro do avô. Salvando-os

 Soraia não gostou. –Não podemos nos dividir. Uns vão ajuda-los, outros permanecem aqui para terminar os preparativos.

Joaquim respondeu que era preciso a ajuda de todos. Pediu que juntassem roupas, remédios, comida e água, e partiram.

Soraia chorou. Há dias esperava pela festa e não aguentava a frustação.

- Por que tinha de ser assim? Logo hoje? Não poderia ser amanhã?

Queria ajudar, mas não queria perder a festa. Foi ela quem idealizou a apresentação de dança. Pediu à tia que enfeitasse os vestidos com fitas coloridas para dar beleza aos movimentos que criara. Ensaiou, pacientemente, até que todos estivessem dançando os mesmos passos. E agora nada aconteceria.

- Calma Soraia. Cristo está a nos convidar para uma festa ainda mais bela. Não percebe?  

- Não entendo, Rute.

- Ele está nos dando a oportunidade de seguir seu exemplo, de cumprir seu maior mandamento: o de amar.

Soraia lembrou-se das leituras que ouvia na Casa do Cristo. Adorava as palavras de Saulo que afirmavam que não importava o que pudesse ser ou fazer, sem amor nada seria. Agradeceu a Rute por fazê-la despertar e apressou-se para acompanhar os últimos que seguiam em direção ao vilarejo. Rute permaneceu para cuidar do ancião.

Guiados pela menina, chegaram ao vilarejo. Atenderam aos feridos, alimentaram os famintos e recuperaram o que foi possível. Soraia era uma das mais animadas. Não parava nem por um minuto. Dedicava-se a fazer tudo o que estava ao seu alcance.

No inicio da noite, Rute chegou com o ancião que já havia recuperado as forças. Trouxe, junto com Maria e Laura, as guloseimas da festa. Então, após a conclusão dos serviços de reparação, todos se reuniram no abrigo coletivo recém-construído. Fizeram uma prece em agradecimento e festejaram a vida, a solidariedade, o amor.

Soraia realizou a apresentação tão desejada. E ao final, confessou a Rute que a festa foi melhor do que ela havia sonhado.

Naquela noite, os membros da Casa do Cristo receberam um lindo presente de aniversário.

21.06.12

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