SER OU ESTAR ESPÍRITA?

18/10/2012 07:37

 

O Momento de Luz pergunta a todos: você é espírita ou está espírita?

Muitos têm contato com a doutrina espírita por alguma dor, buscando algum tipo de tratamento espiritual. Infelizmente, muitas vezes tal contato primeiro não é suficiente para nos tornarmos espíritas. Apenas estávamos espíritas naquele momento que precisamos.

O texto de hoje é um convite para a compreensão do que é ser espírita, com a sua consequente escolha pela busca constante do bem.

Bem vindos.

Paz.

 

 

SER OU ESTAR ESPÍRITA?


Já faz algum tempo que venho me questionando sobre a diferença entre uma e outra situação de que fala o título deste escrito. Muitos hão de pensar, mas não é a mesma coisa? Outros dirão, ser espírita é estar espírita!!! Mas eu acho não ser o mesmo e um exclui o outro estado. Quem está espírita, com certeza não é espírita. Depois de estudar um pouco, vou tentar explicar a minha opinião.

Como não poderia deixar de ser, fui às obras básicas para rever o que Kardec nos fala sobre o que é ser espírita. 

No Capítulo XVII Kardec nos leva a refletir sobre o que é ser espírita.

No livro A Gênese, Introdução, 56, encontrei: “Com o auxílio das novas luzes trazidas pelo espiritismo e pelos espíritos, o homem compreende a solidariedade que une todos os seres; a caridade e a fraternidade tornam-se uma necessidade social; ele faz por convicção o que não fazia senão por dever, e o faz melhor.”

É sobejamente sabido que a Doutrina Espírita codificada por Kardec foi estruturada de acordo com os ensinamentos de Jesus. 

Logo, o espírita é o seguidor incondicional das revelações do Divino Mestre, as lições que nos deixou pelos escritos dos seus Apóstolos e Evangelistas. Dentro desse raciocínio vamos encontrar no Evangelho Segundo o Espiritismo , capítulo XVII, “Sede perfeitos”, a explicação por Kardec do Evangelho de Mateus, Cap.V, v. 44, 46, 47 e 48, “Amai os vossos inimigos; fazei o bem àqueles que vos odeiam, e rezai por aqueles que vos perseguem e caluniam. Pois se só amais os que vos amam, que recompensa tereis com isso? Sede, pois, perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”.

O que podemos entender? 

Jesus procura nos ensinar que não é para termos a pretensão de ser como o Pai, mas que obedecendo as Leis Divinas, podemos nos tornar homens de bem. 

E como é o homem de bem?

O item 3 do capítulo mencionado do Evangelho Kardequiano, vamos encontrar que, por princípio é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza. Vive interrogando sua consciência para sentir intimamente se seus atos não violaram esses preceitos, se não praticou o mal mas sim o bem que podia e estava ao seu alcance.

Dentro da sua prática de caridade não tem raiva, nem rancor, nem desejo de vingança: segue o exemplo de Jesus perdoando e esquecendo as ofensas, pois sabe que será perdoado na medida que souber perdoar.

Não se envaidece por nada que o tornaria superior: por fortuna, por dotes pessoais, por seu talento, não abusa dos bens materiais que lhe são concedidos.

Não procura conquistar postos e honrarias de qualquer espécie, principalmente no seio da sua comunidade , aceitando com humildade e respeitando os direitos dos seus semelhantes, como gostaria que fossem respeitados os seus...

Se, por qualquer razão, assume um posto de comando em qualquer tipo de Instituição, deverá saber exercer o poder com moderação, sem ferir outrem, tratando das coisas com lisura e competência, sem apego ao poder que lhe foi concedido em caráter transitório. 

Saber renunciar às vaidades do cargo que ocupa .e deixá-lo com dignidade quando vencer o tempo pré estabelecido.

O item 4 , que tem como título Os bons espíritas, Kardec inicia com as seguintes palavras: “O Espiritismo bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, forçosamente conduz aos resultados acima mencionados (o homem de bem), que caracterizam o verdadeiro espírita como o verdadeiro cristão, um e outro tornando-se o mesmo.”

E mais: “Aquele a quem é possível, e com razão, qualificar de verdadeiro e sincero espírita, está num grau superior de adiantamento moral. Seu espírito, que domina a matéria de maneira mais completa, dá a ele uma percepção mais clara do futuro. Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua formação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.”

O que me diz ao coração esses ensinamentos de Kardec? 

Me dizem que para me considerar bom espírita preciso, em primeiro lugar, conhecer os ensinamentos do Mestre Jesus, e, na medida que puder me esforçar, segui-los sem constrangimentos e sem arrependimentos.

Que eu devo me desapegar de bens materiais, pensando em ter o que me é concedido dentro do meu merecimento; não sentir orgulho ou vaidade de ser visto como melhor do que qualquer outro Não me prender a poderes fátuos, não pensar em me considerar único capaz de dirigir os destinos da minha instituição.

Saber que tudo na vida material é transitório, recebemos como se fosse um empréstimo em início de viajem e que temos de prestar contas ao chegar no nosso destino – o que Jesus nos acena, as bem aventuranças no plano espiritual.

Será que é difícil assim pensar e assim agir? 

Não tenho dúvida que sim. Mas tenho que saber definir a minha passagem terrena, se quero aproveitar a Providência Divina que me concede a oportunidade de evolução espiritual, ou ficar marcando passo sem ter como perspectiva a vida futura.

Fui encontrar no livro Obras Póstumas de Kardec, muitas afirmativas interessantes sobre o que é o Espiritismo. 

No texto intitulado Breve resposta aos detratores do Espiritismo, separei os seguintes trechos:

- “Se pois os livros da doutrina espírita condenam explícita e formalmente um ato reprovável, se além disso não encerram senão instruções para o bem, é evidente que os culpados de ruins ações não beberam neles as suas inspirações, e talvez nem os tivessem visto”

- “O Espiritismo não é mais solidário com os que se dizem espíritas do que a medicina com os charlatães que a explora, ou a verdadeira religião com os abusos e crimes praticados em nome dela. Só reconhece por adeptos os que praticam os seus ensinos, Isto é, os que trabalham pelo próprio melhoramento moral procurando vencer as suas más inclinações, trabalhando por ser menos egoístas e menos orgulhosos, mais benevolentes, mais humildes, pacientes, caridosos para com o próximo, mais moderados em tudo; pois são esses os sinais característicos do verdadeiro espírita”. 

- “Espírita é quem aceita os princípios da doutrina e conforma com eles a sua obra”.

Conclusão: 
Procurei aqui sintetizar um pouco do material que consegui coletar, mas que creio ser suficiente para dizer da distinção entre ser espírita e estar espírita...

No meu entendimento ser espírita é aquele que crê em todos os postulados da doutrina, se fundamenta nos ensinos de Jesus, conhece-os e procura com toda a força da sua intuição praticar atos que só podem constituir na sua evolução espiritual. 

É o praticante e, no dizer de Kardec, o verdadeiro espírita, espírita-cristão. 

Nada teme, pelo contrário, procurar aproveitar da oportunidade que lhe foi concedida para reparar erros do passado.

Estar espírita é aquele que conhece os postulados da doutrina, aceita-os integralmente mas não os pratica, prefere continuar a usufruir dos prazeres mundanos, se compraz com o poder, tem orgulho do que tem e do que sabe. 

Luta pelo poder temporal e esquece dos seus deveres mais comezinhos... amor... caridade... perdão.

Somos imperfeitos, mas dentro dessa imperfeição podemos e devemos procurar a perfeição, o aprimoramento do nosso espírito, ouvindo a voz do Mestre...

”Sede perfeitos....” ou seja, sermos homens de bem.

 

Nery Porchia

Em: https://kardeconline.com.br/profiles/blog/show?id=4717287%3ABlogPost%3A49866&xgs=1&xg_source=msg_share_post#axzz29e3mImJy

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