VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (70)

15/12/2011 06:00

  Na Vivência Mediúnica de hoje, prosseguimos tecendo comentários sobre a dor e a sobrevivência, e como esses processos afetam nossas percepções, como seres encarnados ou desencarnados.

Que estejamos atentos aos significados de nossas dores e que a luta pela vida continue para o além desta vida.

Um ótimo dia para todos.

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (70)

 

A maioria de nós já tomou conhecimento de pessoas capazes de atos extraordinários em situações de perigo extremo. Alguns destes indivíduos utilizam-se de conhecimentos prévios e outros despertam capacidades, até então, adormecidas.

Quando há um perigo iminente, com risco de morte física, o cérebro desencadeia mecanismos neurais instintivos para lutar pela vida, mas sabemos que as reações são muito diferentes de caso para caso.

O nível de consciência de cada um, o significado da morte e da dor, o apego e as crenças pessoais são absolutamente individuais. Além disto, como sabemos que o espírito imortal carreia experiências pregressas, pode haver algum tipo de acesso à uma memória arcaica auxiliar.

O stress agudo, um acidente ou fato traumático de grande impacto e situações de extrema privação, são exemplos de fatores capazes de gerar dores físicas e emocionais. Quando esses fatores são percebidos como "perigo iminente de vida", há uma modificação no nível de consciência, na percepção corporal, na memória e nos processos chamados vitais do corpo humano. Todo o sistema nervoso (tanto o somático quanto o visceral ou sistema nervoso autônomo) e o sistema endócrino agem a favor da preservação do organismo celular.

O organismo tem a habilidade de reconhecer estímulos nocivos ou perigosos à sua preservação física, sendo o mais importante a dor. Dor é uma experiência sensorial nociceptiva, aversiva e desagradável, que avisa o indivíduo que algo está errado no seu corpo, seja internamente ou na sua relação com o ambiente externo, portanto é um verdadeiro alerta neuroquímico que permite ao homem tomar decisões importantes.

O sistema nervoso se utiliza de várias vias nervosas, de complexidade variável, para transmitir os estímulos nocivos. Contudo, o sistema nervoso também conta com diversos mecanismos para minimizar a dor, permitindo tomada de ações ou decisões que podem ser vitais. Existem muitas substancias químicas (neurotransmissores) lançadas na corrente sanguínea que funcionam como analgésicos endógenos, chamadas de endorfinas, além de verdadeiros "portões" da dor. Estes últimos são áreas onde os estímulos dolorosos podem ser minimizados ou bloqueados antes de chegarem às áreas do córtex onde serão reconhecidos.

Nos casos de trauma ou stress agudo, emergenciais, há uma resposta orgânica básica, com liberação de adrenalina, noradrenalina e de cortisol, além de serem também consumidos os chamados analgésicos endógenos. Por isso o indivíduo consegue aumentar sua atenção e seus reflexos, reduzir a percepção de dor e eventuais sangramentos. Há uma redução na atividade de alguns órgãos em detrimento de outros e um remanejamento do fluxo sanguíneo, funcionando como uma reprogramação para intensificar processos de curto prazo e reduzir o metabolismo de processos de longo prazo, como o dos sistemas digestivo e reprodutivo.

A dor será relativa, suportável ou totalmente suprimida, em situações de risco extremo, atentando às variações individuais, para que a pessoa não perca o foco na luta pela sobrevivência.

Inúmeros são os fatores que aumentam as diferenças individuais em situações de perigo e dor extremas, e cito alguns: o tipo de ferimento, condição física corporal prévia, fatores psicológicos que incluem expectativas, depressão, ansiedade, medo, crenças pessoais, significado individual do evento ou condição dolorosa. Esses fatores podem minimizar ou exacerbar a dor, além de permitirem a tomada de ação mais adequada para cada caso.

Muitas pessoas relatam não ter tido a real noção do tempo nem da gravidade dos ferimentos. Há uma alteração na memória do evento, com lapsos episódicos e descoberta de capacidades surpreendentes.

Muitos que desencarnam em condições traumáticas importantes, tendo o corpo físico já iniciado o gatilho dos mecanismos de sobrevivência, parecem transpor para o cérebro perispirítico os mesmos alertas que tinham quando encarnados. Isto foi, possivelmente o que ocorreu com o espírito que foi atendido e cujo relato está na Vivência Mediúnica anterior. O desencarnado não tinha a menor ideia das lesões no corpo perispirítico, não sentia dor. Outras emoções tomaram o lugar da dor física e do desconforto.

No atordoamento do desencarne violento, ainda acabou sendo manipulado por outros seres, que utilizaram de um artefato, ligado ao seu tronco cerebral, para escamotear suas percepções corporais. Neste importante local se situam áreas responsáveis pela passagem dos estímulos dolorosos do corpo ao córtex, produção e difusão de neurotransmissores relacionados ao bem estar (serotonina e dopamina), além do estado de sono e alerta.

A ausência da crença na vida além desta vida, também é um fator frequente nesses atendimentos, onde o espírito teme a morte por completa ignorância da perenidade da alma, da presença do corpo perispirítico. Nesses casos tenho a sensação de que o espírito "encarna", na falta de termo melhor, no próprio perispírito, pois passa a ter a consciência corporal. É um novo e velho corpo que nos acompanhará por muitíssimo tempo, portanto deverá também que ser preservado e cuidado, como o veículo importante que é de expressão do Espírito.

Espero que todos nós, humanos encarnados ou não, possamos ficar cada vez mais conscientes da nossa imortalidade. Daí, quem sabe, deslocarmos e atenuarmos os nossos medos básicos para o temor de perder a integridade moral e a capacidade de amar e se conectar com o Divino em nós.

A eternidade pode ser percebida como um fardo ou como uma oportunidade. Agradeço o aprendizado com a convivência com todos os espíritos assistidos, a quem dedico meu respeito e carinho.

 

"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta." Chico Xavier

Muita Paz para todos nós.

Francesca Freitas

15-12-2011.

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