VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (105)

23/08/2012 18:31

 

É muito comum, em nosso site e em nossa Fan Page, surgirem perguntas sobre o momento da vida no qual a mediunidade deve ser desenvolvida.

Bem, a faculdade mediúnica para um determinado indivíduo é impar assim como cada ser também o é. Cada um tem seu ritmo de desenvolvimento próprio, assim como o livre arbítrio.

A Vivência Mediúnica de hoje aprofunda o estudo dos “ciclos da mediunidade”. Um estudo importante para compreendermos que cada um tem o seu desabrochar, assim como a rosa só brilha no seu momento correto.

Cuidemos dessa rosa.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (105)

  

Recentemente alguns companheiros e amigos me perguntaram sobre o momento da vida no qual a mediunidade deve ser desenvolvida. Bem, a faculdade mediúnica para um determinado indivíduo é impar assim como cada ser também o é. Cada um tem seu ritmo de desenvolvimento próprio, assim como o livre arbítrio.

O desenvolvimento de quaisquer faculdades e aprimoramento das habilidades específicas, dependem não só da condição “inata”, mas principalmente da vontade e esforço próprios, incluindo o estudo e prática para a capacitação desejada. Algumas características gerais do “aparecimento” da mediunidade foram estudadas por alguns autores, e mais adiante neste texto, cito uma abordagem interessante acerca do tema.

Nesse intercambio com o mundo espiritual, tão antigo quanto a história da humanidade em si mesma, ainda há questões a resolver e muito a se aprender. Como também temos ainda muito a conhecer sobre nós mesmos, nossa visão de mundo, nossas sensibilidades e motivações.

Não há uma idade predeterminada, contudo como ocorre na vida cotidiana, há uma fase de transição de adolescente para adulto-jovem, quando o ser tem uma condição de maior-idade, os dezoito anos, na qual poderá assumir mais responsabilidades. Lembremos que a idade real do Espírito é bem diversa, e há crianças velhas, jovens anciãos e etc. Ao associarmos as “idades” com a condição de equilíbrio psíquico podemos analisar melhor a maturidade do Espírito.

Cada um tem a bagagem que construiu ao longo de diversas encarnações, e certamente algumas pessoas tem maior intimidade com o intercambio espiritual por tê-lo exercido no passado.

 

No livro MEDIUNIDADE (Vida e Comunicação) - Conceituação da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas Atuais, 5.edição, Editora Cultural Espírita Edicel Ltda., de José Herculano Pires, o autor comenta, de modo extensivo, acerca do intercambio mediúnico, inclusive acerca de algumas etapas do desenvolvimento físico e das manifestações mediúnicas mais comuns a cada uma dessas fases. Agrupa em determinadas idades o despertar da mediunidade, que não raro, corresponde ao anseio de despertamento para a espiritualidade e religiosidade interior. Não é uma classificação fechada.

Para o nosso aprendizado, selecionei alguns trechos para a nossa vivencia de hoje, grifos nossos.

 

“Hoje ainda perduram as confusões a respeito. Afirma-se tudo a respeito da Mediunidade: é uma manifestação dos poderes cerebrais do homem, esse computador natural que pode programar o mundo; é uma eclosão dos resíduos animais de percepção sem controle de órgãos sensoriais específicos; é uma energia ainda desconhecida do córtex cerebral, mas evidentemente física (Vassiliev); é um despertar de novas energias psicobiológicas do homem, no limiar da era cósmica; é o produto do inconsciente excitado; é uma forma ainda não estudada da sugestão hipnótica. Ninguém se lembra da explicação simples e clara de Kardec: é uma faculdade humana.

 

Médium quer dizer medianeiro, intermediário. Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos. Não é um poder oculto que se possa desenvolver através de práticas rituais ou pelo poder misterioso de um iniciado ou de um guru.

A Mediunidade pertence ao campo da comunicação. Desenvolve-se naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para a captação mental e sensorial de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca e nos afeta com as suas vibrações psíquicas e afetivas.

Da mesma forma que a inteligência e as demais faculdades humanas, a Mediunidade se desenvolve no processo de relação.

 

Geralmente o seu desenvolvimento é cíclico, ou seja, processa-se por etapas sucessivas, em forma de espiral.

 

As crianças a possuem, por assim dizer, à flor da pele, mas resguardada pela influência benéfica e controladora dos espíritos protetores, que as religiões chamam de anjos da guarda. Nessa fase infantil as manifestações mediúnicas são mais de caráter anímico; a criança projeta a sua alma nas coisas e nos seres que a rodeiam, recebem as intuições orientadoras dos seus protetores, às vezes vêem e denunciam a presença de espíritos e não raro transmitem avisos e recados dos espíritos aos familiares, de maneira positiva e direta ou de maneira simbólica e indireta.

Quando passam dos sete ou oito anos integram-se melhor no condicionamento da vida terrena, desligando-se progressivamente das relações espirituais e dando mais importância às relações humanas.

O espírito se ajusta no seu escafandro para enfrentar os problemas do mundo. Fecha-se o primeiro ciclo mediúnico, para a seguir abrir-se o segundo. Considera-se então que a criança não tem mediunidade, a fase anterior é levada à conta da imaginação e da fabulação infantis.

 

É geralmente na adolescência, a partir dos doze ou treze anos, que se inicia o segundo ciclo.

Na adolescência o seu corpo já amadureceu o suficiente para que as manifestações mediúnicas se tornem mais intensas e positivas. É tempo de encaminhá-la com informações mais precisas sobre o problema mediúnico.

Certos adolescentes integram-se rápida e naturalmente na nova situação e se preparam a sério para a atividade mediúnica. Outros rejeitam a mediunidade e procuram voltar-se apenas para os sonhos juvenis. É a hora das atividades lúdicas, dos jogos e esportes, do estudo e aquisição de conhecimentos gerais, da integração mais completa na realidade terrena. Não se deve forçá-los, mas apenas estimulá-los no tocante aos ensinos espíritas.

 

O terceiro ciclo ocorre geralmente na passagem da adolescência para a juventude, entre os dezoito e vinte e cinco anos.

É o tempo, nessa fase, dos estudos sérios do Espiritismo e da Mediunidade, bem como da prática mediúnica livre, nos centros e grupos espíritas. Se a mediunidade não se definiu devidamente, não se deve ter preocupações.

Há processos que demoram até a proximidade dos 30 anos, da maturidade corporal, para a verdadeira eclosão da mediunidade. Basta mantê-lo em ligação com as atividades espíritas, sem forçá-lo.

 

Há ainda um quarto ciclo, correspondente a mediunidades que só aparecem após a maturidade, na velhice ou na sua aproximação.

Trata-se de manifestações que se tornam possíveis devido às condições da idade: enfraquecimento físico, permitindo mais fácil expansão das energias perispiríticas; maior introversão da mente, com a diminuição de atividades da vida prática, estado de apatia neuropsíquica, provocado pelas mudanças orgânicas do envelhecimento. Esses fatores permitem maior desprendimento do espírito e seu relacionamento com entidades desencarnadas.

Esse tipo de mediunidade tardia tem pouca duração, constituindo uma espécie de preparação mediúnica para a morte. Restringe-se a fenômenos de vidência, comunicação oral, intuição, percepção extra-sensorial e psicografia.

Embora seja uma preparação, a morte pode demorar vários anos, durante os quais o espírito se adapta aos problemas espirituais com que não se preocupou no correr da vida.

 

Esses fatos comprovam o conceito de mediunidade como simples modalidade do relacionamento homem-espírito. Kardec lembra que o fato de o espírito estar encarnado não o priva de relacionar-se com os espíritos libertos, da mesma maneira que um cidadão encarcerado pode conversar com um cidadão livre através das grades.

 

Não se trata das conhecidas visões de moribundos no leito mortuário, mas de típico desenvolvimento tardio de mediunidade que, pela completa integração do indivíduo na vida carnal, imantado aos problemas do dia-a-dia, não conseguiu aflorar. A sua manifestação tardia lembra o adágio de que os extremos se tocam.

A velhice nos devolve à proximidade do mundo espiritual, em posição semelhante à das crianças.

 

Na verdade, a potencialidade mediúnica nunca permanece letárgica. Pelo contrário, ela se atualiza com mais freqüência do que supomos, passa de potência a ato em diversos momentos da vida, através de pressentimentos, previsões de acontecimentos simples, como o encontro de um amigo há muito ausente, percepções extra-sensoriais que atribuímos à imaginação ou à lembrança e assim por diante.

Vivemos mediunicamente, entre dois mundos e em relação permanente com entidades espirituais.

Durante o sono, como Kardec provou através de pesquisas ao longo de mais de dez anos, desprendemo-nos do corpo que repousa e passamos ao plano espiritual. Nos momentos de ausência psíquica de distração, de cochilo, distanciamo-nos do corpo rapidamente e a ele retornamos como o pássaro que voa e volta ao ninho.

 

No ato mediúnico tanto se manifesta o espírito do médium como um espírito ao qual ele atende e serve.

Os problemas mediúnicos consistem, portanto, simplesmente na disciplinação das relações espírito-corpo. É o que chamamos de educação mediúnica.

 

Na proporção em que o médium aprende, como espírito, a controlar a sua liberdade e a selecionar as suas relações espirituais, sua mediunidade se aprimora e se torna segura.

 

Assim o bom médium é aquele que mantém o seu equilíbrio psicofísico e procede na vida de maneira a criar para si mesmo um ambiente espiritual de moralidade, amor e respeito pelo próximo.

A dificuldade maior está em se fazer o médium compreender que, para tanto, não precisa tornar-se santo, mas apenas um homem de bem.

O resultado disso é o fingimento, a hipocrisia que Jesus condenou incessantemente nos fariseus, uma atitude permanente de condescendência e bondade que não corresponde às condições íntimas da criatura.

O médium deve ser espontâneo, natural, uma criatura humana normal, que não tem motivos para se julgar superior aos outros. Todo fingimento e todo artifício nas relações sociais leva os indivíduos à falsidade e à trapaça.

 

As mudanças interiores da criatura decorrem de suas experiências na existência, experiências vitais e conscienciais que produzem mudanças profundas na visão íntima do mundo e da vida. “

 

 

Encerro desejando a todos boas reflexões.

Muita Paz para todos nós.

Francesca Freitas

22-08-2012

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