VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (109)

20/09/2012 06:56

 

A Vivência Mediúnica de hoje traz um relato de um atendimento a um jovem que, após uma existência com um déficit auditivo e algumas sequelas neurológica, desencarnou com extrema dor e certa revolta pelas suas limitação física.

É interessante perceber o seu descontentamento em encontrar-se afastado do encontro mais direto com o outro. Um caminho de aprendizado sofrido, mas que precisará ser abraçado, aceito, para o desenvolvimento de potenciais adormecidos naquele ser.

Que a história relatada nos atente para os nossos potenciais, mostrando-se verdadeiro convite para aceitarmos as nossas limitações.

Muita luz para todos.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (109)

 

Durante o nosso estudo, percebi que uma médium do grupo estava particularmente inquieta naquele dia. Demonstrava certa agitação e dificuldade em acompanhar o estudo, intercalando episódios de alheamento e desatenção, com uma fala rápida e pouco articulada, no popular “atropelando as palavras”. 

Como habitual, finalizado o estudo, oramos e vibramos, o que nos pacifica.

Numa determinada fase do trabalho, fui intuída a sentar-me ao seu lado e senti uma energia turbulenta, na falta de expressão melhor, a aproximar-se. Observei que, a princípio, relutou, mas acabou dizendo que sentia “uma grande agonia”. Oramos silenciosamente, e a Espiritualidade amiga envolveu esse espírito numa espécie de casulo energético, como visualizei na minha tela mental, o que possibilitou uma conexão perispirítica com um amigo em agonia.

O amigo foi, aos poucos, movimentando seu corpo e depois as mãos, gesticulando e apontando para a boca e a garganta. Não conseguia falar e ficou nervoso, emitindo sons e poucos fonemas.

Conversei com ele, dizendo que trabalhava com uma equipe de saúde e que poderia encaminhá-lo a um serviço médico que melhoraria sua condição. Pareceu-me que ele não entendia, ou melhor, não ouvia o que eu falava. Continuava gesticulando, movendo os dedos muito rapidamente e apontou também para sua cabeça. Depois de um tempo, parou um pouco, triste, circulando a mão, como num “deixa pra lá!”

Eu não entendia nada que ele tentava falar, mas com o auxílio dos trabalhadores invisíveis, consegui manter uma espécie de conversa telepática com ele, e pude aplicar-lhe uma “medicação”.

 

Tratava-se de um espírito que nasceu com déficit auditivo e com algumas outras sequelas neurológicas. Não teve auxílio especializado para desenvolver uma fonação inteligível, e comunicava-se por gritos e gestos. Sua maior aspiração era a de poder falar de uma maneira que as pessoas o compreendessem, e daí lhes prestarem alguma atenção. Sentia-se alijado socialmente, contudo com uma mistura de conformismo e revolta porque tinha nascido assim: defeituoso.

Eu captava, na sua mente confusa, pensamentos como “ninguém me entende”, “não consigo entender o que estão falando”, ou “porque agem desse jeito?”

Enquanto encarnado, vivia muito no mundo interior, e na infância tentava agradar a todos brincando com um e com outro. Comportamentos que socialmente são aceitos na infância não se encaixam mais no adulto e são censurados. Ele não entendia porque apanhava, ou era colocado de castigo quando fazia uma brincadeira que alegrava a todos quando era criança. Com isso despediu-se do riso e da alegria.

Não gostava de sair nem de ver pessoas estranhas, nem os entendia nem se fazia compreender adequadamente.

Viveu seus anos terrestres numa casa modesta, porém ampla e com muitos irmãos, ajudando aos pais nos serviços domésticos. O visualizei varrendo uma área de terra próxima a algumas arvores, dando comida a passarinhos em gaiolas. Possivelmente sentia-se assim, engaiolado.

Desencarnou depois de um processo infeccioso de curso rápido, e mantinha-se a fugir de pessoas, que, para ele, continuavam estranhas, pois sempre que se aproximavam, não percebiam sua mudança de plano físico.

Nos momentos de consciência mais desperta procurava algum local que tivesse arvores e pássaros para ele olhar, mas fugia quando “os outros” apareciam.

Sentia-se perdido e queria voltar para sua antiga casa, mas não conhecia o caminho, e escondia-se, para as pessoas não o verem, já que ele não podia responder e conversar.

 

Após um breve e “mudo” desabafo, seu olhar deslocou-se e percebi que já conseguia visualizar os companheiros espirituais do auxílio, e algo confiante balançou a cabeça em atitude de aceitação. Sentia que era a hora da despedida e conseguiu falar poucas palavras com uma expressão de alegria, “eu, eu, eu, ha..ra falo, possoeuvou....happarapodrerfala”, mais ou menos assim.

 

Fiquei tomada de compaixão pelo irmão que em reencarnação expiatória privou-se do “encontro”, encontro este possibilitado pela comunicação falada ou escrita e pela escuta, que muitas vezes não valorizamos. Continuarei com o tema na próxima semana.

 

Encerro com Emmanuel, do livro “Segue-me”, psicografia de F.C.Xavier:

 

A CURA PRÓPRIA

 

"Pregando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades",  MATEUS, 9:35.

 

Cura a catarata e a conjuntivite, mas corrige a visão espiritual de teus olhos.

Defende-te contra a surdez; entretanto retifica o teu modo de registrar as vozes e solicitações variadas que te procuram.

Medica a arritmia e a dispnéia; contudo não entregues o coração à impulsividade arrasadora.

Combate a neurastenia e o esgotamento; no entanto cuida de reajustar as emoções e tendências.

Persegue a gastralgia, mas educa teus apetites à mesa.

Melhora as condições do sangue; todavia não o sobrecarregues com os resíduos de prazeres inferiores.

Guerreia a hepatite; entretanto livra o fígado dos excessos em que te comprazes,

Remove os perigos da uremia; contudo não sufoques os rins com venenos de taças brilhantes.

Desloca o reumatismo dos membros, reparando, porém, o que fazes com teus pés, braços e mãos.

Sana os desacertos cerebrais que te ameaçam; todavia aprende a guardar a mente no idealismo superior e nos atos nobres.

 

Consagra-te à própria cura, mas não esqueças a pregação do reino divino aos teus órgãos. Eles são vivos e educáveis.

Sem que teu pensamento se purifique e sem que a tua vontade comande o barco do organismo para o bem, a intervenção dos remédios humanos não passará de medida em trânsito para a inutilidade.”



 

Muita PAZ para todos nós.

Francesca Freitas

18-09-2012

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