VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (111)

03/10/2012 15:00

 

A Vivência Mediúnica de hoje nos lembra de que os fundamentos da Doutrina Espírita foram cunhados na partilho, surgindo através de múltiplos encontros, com Allan Kardec tendo a função sublime de organizador.

Este fato dá a devida importância aos encontros que nos são proporcionados nesta vida. Estamos atento aos nossos encontros, aos que nos cercam, aos diálogos, à vida?

O texto de hoje evidencia que muitas conversas, nos dias atuais, não passam de declarações pessoais, monólogos do ego, sem uma troca real que motive uma mudança de opinião, a coleta de uma informação relevante. 

Voltemos a resgatar o que é relevante.

Muita paz e ótima leitura para todos.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (111)

 

Os fundamentos da Doutrina Espírita são calcados na partilha. Foi através de múltiplos “encontros” que o Codificador escreveu uma vasta e valiosa obra, que nos serve de modelo. Como caminheiros na senda da Espiritualidade, sua obra também pode ser comparada, de modo análogo, a extenso guia, onde o "cicerone" Allan Kardek nos apresenta varias facetas do universo humano, seus pensamentos, crenças, opiniões e depoimentos.

Há descrições sobre um universo físico dimensional diverso, com algumas informações tão inovadoras para a época, um pouco mais de cento e cinquenta anos atrás, que a ciência, apenas atualmente, vislumbra e investiga com propriedade. Traz esclarecimentos preciosos sobre a história do planeta, da evolução da vida primitiva até seres complexos, e dos ciclos naturais de mudanças geológicas, especialmente na primeira parte do Livro dos Espíritos e na Gênese. 

Mas, uma leitura de um ponto de vista mais humanista nos revela muito das sensações, emoções, pensamentos e costumes de seres humanos diferentes, que encarnaram em várias épocas e países.

A despeito da grande maioria dos depoimentos ter sido colhida de espíritos nos quais predominava uma cultura e linhas de pensamento mais ocidentais, com uma influencia judaico-cristã clara, observa-se, na maioria dos espíritos, um caráter transreligioso, não sectário. Praticamente todos desejam o que nós mesmos desejamos: felicidade, paz, harmonia, saúde e equilíbrio. Informam-nos das trilhas que percorreram, dos acertos e desacertos, e como guias de caminhos bem conhecidos nos revelam as Leis Maiores. Dentre elas, e para mim a principal: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo!”

Esse próximo é toda a humanidade, e relembro uma série de textos sobre os Amores, pois o “respeito” é a base da amorosidade.  

 

Interessante, observar, também, como os espíritos manifestam suas ideias: através de diálogos, mais ou menos enxutos, como nas perguntas e respostas, através de preleções, de depoimentos descritivos ou emocionados. Em depoimentos pessoais, observo alguns em formato de carta que comunica fatos, outras em forma de aviso, os que “desabafam” suas agruras, e etc.

Realmente, trata das nossas relações, entre nós espíritos que convivem, encarnados e desencarnados em dimensões diferentes, e conosco mesmos. Essa convivência, que pode ser de modo harmonioso até desastroso, é típica do ser humano e produzida nos nossos encontros, nas trocas das experiências.

 

A partilha depende da comunicação, da percepção que passa pela escuta e visão da “leitura” pessoal de cada um. E para ouvir o outro é preciso deslocar a atenção, estar disposto a decodificar a mensagem. Na correria atual, com um tempo escasso dado ao nosso cérebro para “refletir”, os diálogos reais estão minguando.

Agradeço à disposição, curiosidade, motivação e paciência de Kardek para essa escuta rica e vasta que nos proporcionou as obras da Codificação. Se tivesse um computador à disposição à época, seu trabalho seria mais fácil. Atualmente, com tantos meios de comunicação a facilitar uma partilha respeitosa, ainda pipocam pequenos e grandes desentendimentos e mal-entendidos. Ou quem se expressa não sabe como fazê-lo adequadamente, ou quem ouve não escuta, e aí está o desencontro, oposto do encontro rico e salutar entre nós humanos.

Em muitas conversas percebo muitas declarações pessoais, sem uma troca real que motive uma mudança de opinião, a coleta de uma informação relevante. 

Às vezes a pessoa lembra-se do que ela falou, mas não do que ouviu, ou apenas escutou fragmentos, pois estava a escutar a si mesma, o que revela a solidão contemporânea. Esse comportamento, voltado para um si mesmo desinteressado do ser real que é, no ego infantil, é uma perda de tempo enorme. Mas cada um tem seu tempo e sair do egoísmo é difícil e doloroso, assim como reconhecer-se num momento de egoísmo é tarefa de crescimento pessoal.  Isso também não significa que o nosso ouvido tem que escutar tudo ou todos, pois podemos selecionar por ordem de importância o que deve ou não entrar no nosso espaço de reflexão mais profunda, além de descartar o irrelevante.

 

Respeitar ao nosso precioso corpo físico, dotado de tantas sensibilidades, ao nosso cérebro, tão trabalhado pelos Mestres para dotá-lo de qualidades que nos capacitem mais e melhor para o nosso desenvolvimento, para a nossa conveniência e escolha, é responsabilizar-se.

“O tempo não para”, como na música de Cazuza, mas como dispomos dele é escolha pessoal. Estar presente “em corpo e alma” é estar atento e desperto, para vivenciar o melhor do “agora”, e exige atenção e certo distanciamento emocional.

O reflexo de um comportamento dissociado, consequentemente, se fará presente, não apenas nos ambientes familiares, acadêmicos ou de trabalho, mas também no Centro Espírita, onde alguns ouvintes não escutam e leitores não apreendem. Ressalvo que este é um espaço especial de convivência, estudo e tratamento que visa ao nosso crescimento pessoal, e que possibilita um “encontro” lúcido e amoroso entre encarnados e desencarnados.

 

Peço aos Mestres que nos iluminem e nos auxiliem nos nossos encontros, na busca pessoal da realização do Self e nas partilhas com a humanidade, que sejam ricos e proveitosos nessa preciosa oportunidade encarnatória, graças à Misericórdia Divina.

 

A vida é movimento, e o movimento é vida.

Tudo no universo, para viver bem, haverá de processar trocas permanentes, não somente o homem, mas tudo na natureza. E essas permutas, quando feitas com amor, refletem a própria caridade.”

Dr. Bezerra de Menezes, do prefácio de O Livro dos Esíritos comentado pelo Espírito Miramez

 

Muita Paz para todos nós.

Francesca Freitas

02-10-2012

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